terça-feira, 28 de agosto de 2007

DAVID SYLVIAN (SECRETS OF THE BEEHIVE, 1987)


O terceiro disco a solo de David Sylvian, Secrets of the Beehive (1987), um dos trabalhos mais aclamados da sua carreira e para muitos a sua obra-prima, reúne um naipe de músicos fabulosos (o multi-instrumentista Ryuichi Sakamoto, que contribui com magníficos arranjos de piano e cordas, os guitarristas David Torn e Phil Palmer, o trompetista Mark Isham, o baixista Danny Thompson e o percussionista Steve Jansen, ex-Japan e irmão de Sylvian) que nos oferecem um punhado de canções de uma beleza arrebatadora.

O que Secrets of the Beehive nos oferece é uma dezena de temas repletos de sugestões visuais assentes na voz profunda e sombria de David Sylvian e envoltas por orquestrações simples, salpicadas por ritmos matizados de jazz, guitarras acústicas, pianos e sopros, algures entre o experimentalismo, a música clássica e a música atmosférica.

Há momentos em que o apelo sensorial se torna mais evidente. Como na faixa de abertura, “September”, onde, por entre o piano e as cordas subtilmente desenhadas por Ryuichi Sakamoto, se adivinha o fim do Verão, ou “Let the Happiness In”, um sussurro melancólico a pairar sobre suaves arranjos de cordas, sublinhado pelos sopros de Isham e as delicadas notas de percussão de Jansen, onde é possível vislumbrar um optimismo em sublime crescendo. “Boy With a Gun” é uma folha rasgada do caderno de apontamentos de Jean Genet e “Maria” soa como se brotasse do fundo de um poço abandonado. E em “Waterfront” é como se estivéssemos à beira do desespero total.

As palavras de Sylvian acentuam o ambiente sombrio e intimista de todo o album, oscilando entre o desespero e a tranquilidade, o optimismo e a desolação: "we say that we're in love/but secretly wishing for rain" ("September"); "but all the hurdles that fell in our laps/were fuel for the fire and straw for our back" ("Orpheus"), "listen to the waves against the docks/I don't know where they've been/I'm waiting for the skies to open up/and let the happiness in" ("Let the Happiness In").

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Secrets of the Beehive encerra a primeira etapa a solo de David Sylvian e constitui o apogeu da dupla criativa que manteve com o japonês Ryuichi Sakamoto.



David Sylvian (David Batt) nasceu em Beckenham, Kent, Inglaterra, no dia 23 de Fevereiro de 1958. Com doze anos começou a tocar guitarra e com dezasseis fundou os Japan, banda que em oito anos de vida (1974-1982) editou cinco álbuns que elevaram a música pop à sua máxima expressão artística. Com a dissolução dos Japan enveredou por uma carreira a solo, que conciliou com colaborações com diversos artistas, tais como, Ryuichi Sakamoto, Holger Czukay e Robert Fripp, e com outras actividades paralelas, como a realização de filmes e a fotografia.

Ainda antes do projecto Japan ter chegado ao fim, Sylvian começou a trabalhar com o compositor Ryuichi Sakamoto, com quem gravou o single Bamboo Houses (1982), dando assim início a uma duradoura relação profissional.
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Em 1983 editou mais um single em parceria com Sakamoto, intitulado Forbidden Colours, composto para a banda sonora do filme Merry Christmas, Mr. Lawrence. No ano seguinte, lançou o seu primeiro álbum a solo, Brilliant Trees, que contou com a participação de Sakamoto e de John Hassell. Nesse mesmo ano, publicou o seu primeiro livro de fotografia, intitulado Perspectives: Polaroids 82/84.
 
Em 1985, realizou o filme-documentário Preparations For The Journey e editou o EP Words With The Shaman.

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No ano seguinte, chegou às lojas o duplo álbum Gone To Earth, gravado com a ajuda de Robert Fripp e Bill Nelson, ao qual sucedeu, em 1987, Secrets Of The Beehive.

Em 1988, trabalhou com o ex-Can Holger Czukay no álbum instrumental Plight And Premonition e, no ano seguinte, participou em Flux + Mutability, quase um disco dos
Can, com Czukay, Jaki Liebezeit e Michael Karoli.
 
Depois de, em 1991, ter participado na segunda encarnação dos Japan, sob a designação de Rain Tree Crow, pela qual lançou um disco homónimo, Sylvian reapareceu em 1993 com Robert Fripp para as gravações do álbum The First Day.

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Em 1999, lançou Dead Bees On A Cake, um disco fortemente aclamado pela crítica, e que marcou o regresso do músico às edições discográficas após um hiato de cinco anos.
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Everything And Nothing viu a luz do dia em 2000. Um disco em formato duplo que reúne os maiores êxitos de David Sylvian, e acrescenta ainda alguns trabalhos que, por um motivo ou por outro, foram soçobrando ao longo da sua carreira. Em 2002, foi editada a compilação Camphor, quase toda dedicada a temas instrumentais. Seguiu-se, no ano seguinte, o experimental Blemish, que conta com a participação de Derek Bailey e Fennesz.
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Em 2005 saiu o album The Good Son vs. The Only Daughter, constituído por remisturas dos temas de Blemish, e Snow Borne Sorrow, pelos Nine Horses, banda que junta David Sylvian, o seu irmão Steve Jansen, e os músicos Burnt Friedman, Arve Henriksen, Stina Nordenstam e Ryuichi Sakamoto.

Já em 2007, surgiu o EP Money For All, também dos Nine Horses, e When Loud Weather Buffeted Naoshima, constituído por setenta minutos de música feita por encomenda para uma instalação do Naoshima Fukutake Art Museum Foundation, da ilha japonesa de Naoshima.

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