segunda-feira, 27 de agosto de 2007

AUCH ZWERGE HABEN KLEIN ANGEFANGEN (WERNER HERZOG, 1970)


Even Dwarfs Started Small (Auch Zwerge Haben Klein Angefangen, 1970) é a segunda obra de ficção do cineasta alemão Werner Herzog e um dos mais bizarros filmes alguma vez feitos, tanto que foi rejeitado na Alemanha durante a fase de lançamento e banido em muitos outros países.

A acção do filme decorre numa colónia penal isolada cuja população é inteiramente constituída por anões. Em resposta à detenção de Pepe, os seus companheiros iniciam uma rebelião caótica contra a autoridade onde todos os símbolos de uma sociedade ordeira e civilizada são ridicularizados e deitados por terra.
 
O director da instituição, também ele um anão, é confinado ao seu gabinete e os prisioneiros desencadeiam uma orgia de actos irresponsáveis, num ciclo de violência desregrada, até mesmo contra os seus semelhantes. Sem qualquer tipo de plano preestabelecido ou liderança formal aceite por todos, o grupo de anões pressiona a única autoridade subjugada, através de actos de vandalismo que roçam o ridículo, todos de extrema crueldade: crucificam um macaco e levam-no em procissão; degolam galinhas e arremessam-nas através dos vidros das janelas; organizam lutas de galos; destroem e incendeiam toda a espécie de material da colónia; forçam o casamento dos dois anões mais pequenos do grupo e ridicularizam-nos numa espécie de noite de núpcias onde o noivo não consuma o acto pois, demasiado velho, pequeno e debilitado, não consegue subir para a cama…
 
Rodado na ilha de Lanzarote, cuja paisagem árida e desolada contribui para acentuar a atmosfera de pesadelo, medo e solidão que perpassa todas as imagens, o filme é uma ode à anarquia e um canto apologético, ainda que crítico, à diversidade e à revolução. Próximo do clássico de Tod Browning, Freaks (1932), com quem partilha a visão particular do outro, do diferente e do monstruoso, esta obra insólita deixa antever já algumas das marcas típicas que caracterizam o cinema de Herzog, seja nas personagens que se revoltam contra o sistema social vigente seja na desolação da paisagem como projecção terrena do sofrimento interior dos protagonistas.

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