segunda-feira, 15 de outubro de 2007

REPULSION (ROMAN POLANSKI, 1965)

Carol Ledoux é uma jovem belga que vive e trabalha em Londres, onde partilha um apartamento com a sua irmã Helen. Introvertida e dada a momentos de pura abstracção, Carol sente-se oprimida pela constante presença de Michael, o namorado da irmã, e passa a vida a queixar-se dos seus objectos pessoais, como a navalha de barbear e a escova de dentes. Colin, um jovem apaixonado por Carol, é incapaz de compreender e aceitar a sua frieza e indiferença.

Quando Helen e o namorado partem de férias para Itália, Carol entra rapidamente num estado de apatia que a conduzirá a uma espiral descendente de loucura. É despedida do emprego, fecha-se em casa, desliga o telefone e mergulha num total estado de depressão alucinada marcada por uma profunda aversão à figura masculina.


Colin, preocupado com o aparente desaparecimento de Carol, força a entrada do apartamento e ela, assustada, mata-o, lança o corpo na banheira e volta a barricar-se. Mais tarde, chega o senhorio para cobrar a renda e é, também, morto.


Repulsion é um dos filmes mais marcantes da carreira de Roman Polanski e a sua primeira obra importante realizada fora da Polónia. Trata-se de um filme de “terror psicológico” ou “drama psicológico” povoado por elementos fantásticos e oníricos, onde Polanski expõe de maneira magistral a gradual degradação psicológica de Carol, brilhantemente interpretada por Catherine Deneuve, quer seja através das rachas das paredes do apartamento que aumentam cada vez que o pânico a assalta e do aspecto orgânico, semelhante a barro, dessas mesmas paredes que retêm em si as marcas das suas mãos e do seu rosto, quer seja pelas mãos que brotam das paredes de um corredor e se esticam para a tocar e agarrar. Um trabalho de câmara magnífico, dominado pelo uso inventivo de planos subjectivos e os repetidos grandes planos do rosto da protagonista, a sensação de desassossego imprimida pelos ínfimos detalhes sonoros, a genial partitura de Chico Hamilton e a soberba fotografia a preto e branco de Gilbert Taylor elevam Repulsion à categoria de obra de culto e um dos expoentes máximos do cinema de terror.


Repulsion é a febril e inquietante primeira parte de uma trilogia a que se convencionou chamar “The Apartment Trilogy”, que ficou completa com Rosemary’s Baby (1968) e Le Locataire (1976). Nos três filmes, os temas principais são a solidão, o medo e a loucura de personagens que se isolam num apartamento de uma grande cidade e sucumbem aos horrores que provêm não de ameaças externas mas dos medos que povoam as suas mentes.

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