segunda-feira, 24 de março de 2008

BLOW-UP (MICHELANGELO ANTONIONI, 1966)

Blow-Up é um dos mais célebres filmes de culto dos anos 60 e um dos títulos mais frequentemente referenciados do cineasta italiano Michelangelo Antonioni.

Thomas, um fotógrafo de moda londrino, decide vaguear pela cidade depois de uma sessão de trabalho. Sempre de máquina na mão, fotografa, num jardim, um casal que se beija. A mulher repara e corre para ele exigindo o negativo do filme. Thomas recusa e regressa ao estúdio onde é interrompido, antes de revelar a película, pela mulher do parque, que insiste na necessidade de ter esses negativos. Thomas acede e dá-lhe outro rolo de filme. Ao revelar as fotografias obtidas no parque, fica intrigado por uma forma bizarra que tinha escapado ao seu olhar mas não à objectiva da câmara. De ampliação em ampliação, descobre que tinha sido testemunha involuntária de um assassínio.

Blow-Up capta o ambiente febril vivido na capital inglesa, em meados dos anos 60, a mítica Swinging London, com o amor livre, as modas vibrantes, as paixões, as festas, os movimentos de contracultura, a lânguida coolness e a música (a banda sonora foi composta pelo jazzman Herbie Hancock e numa das cenas finais podemos ver os lendários Yardbirds, de Jimmy Page e Jeff Beck, a interpretar o clássico Stroll On). Segundo Guillermo Arias, na revista online de música e cinema Feedback-zine, Blow-Up «es un film íntimamente ligado al tiempo en el que fue hecho: Londres, mediados de los 60, basado en un cuento de Julio Cortázar [Las Babas del Diablo] que cuestiona el poder de la veracidad de la imagen a través de la historia de un fotógrafo que asegura porder resolver el enigma de un crimen a partir del análisis de una serie de fotografías que él había realizado y que amplía en sucesivos “blow-ups”.

Filme desconcertante e insólito nas suas propostas dramáticas e narrativas, onde nem a intriga nem as personagens se assumem e desenvolvem de forma tradicional, Blow-Up não é de forma alguma um filme acessível, mas não deixa por isso de ser um trabalho admirável de cinema e um espantoso exercício de investigação e reflexão sobre as relações entre a realidade e a ilusão, entre aquilo que vemos e deixamos de ver.

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