quarta-feira, 26 de março de 2008

LA LUNA (BERNARDO BERTOLUCCI, 1979)

Numa aldeia costeira do mar Mediterrâneo, um bebé entorna mel numa perna que a sua mãe lambe deliciada. A mãe, Caterina, dança ao entardecer com um homem, enquanto o bebé brinca com um novelo de lã. Mais tarde, Caterina pedala numa estrada com o bebé metido no cesto do velocípede, parecendo avançar ao encontro de uma lua feérica.

Anos mais tarde, em Nova Iorque, Caterina, uma cantora de ópera, prepara-se para partir em tournée pela Itália, quando o marido morre subitamente com um ataque cardíaco. Caterina insiste então que Joe, o seu filho adolescente, a acompanhe na digressão. Em Roma, conhece uma rapariga chamada Arianna. Caterina organiza uma festa de aniversário para o seu filho e descobre que ele se injecta com heroína, auxiliado por Arianna. As relações entre mãe e filho quase chegam a um ponto de ruptura e Caterina decide deixar de cantar. Depois, é ela própria que lhe compra heroína e o satisfaz sexualmente durante uma crise. Mais tarde, viajam pelo interior de Itália, onde as suas relações incestuosas atingem momentos delirantes. Numa tentativa desesperada de afastar o filho da droga, Caterina decide revelar ao filho a identidade do seu verdadeiro pai, cuja existência ela sempre manteve em segredo, e Joe parte à sua procura.

La Luna (1979), de Bernardo Bertolucci, é um dos mais complexos, sinuosos e elípticos filmes do realizador italiano, mas nem por isso deixa de ser um dos seus mais fascinantes e belos. Jogando com um argumento que deita explicitamente mãos ao melodrama, Bertolucci constrói uma história complexa, de profunda análise e reflexão, do universo interior de um conjunto de personagens em conflito com o seu próprio inconsciente.

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