terça-feira, 1 de abril de 2008

MALPERTUIS: HISTOIRE D'UNE MAISON MAUDITE

O marinheiro Yann desembarca na sua terra natal, envolve-se numa briga e desmaia ao ser atingido por um golpe na cabeça. Quando volta a si, está em Malpertuis, uma gigantesca e enigmática mansão gótica, onde o seu tio Cassavius se encontra moribundo. O velho excêntrico está rodeado de amigos, criados e, sobretudo, três irmãs de rara beleza: Nancy, Euryale e Alice. Pouco antes de morrer, Cassavius decide que a sua fortuna será igualmente dividida por todos os presentes, na condição de não saírem de Malpertuis. Se os únicos sobreviventes forem um homem e uma mulher, deverão casar e herdar toda a fortuna.

À medida que os habitantes de Malpertuis se vão habituando a viver encerrados na mesma casa, Yann sente-se obcecado por Euryale, ao mesmo tempo que tenta desvendar os mistérios da fantástica casa. Entretanto, a ninfomaníaca Alice previne Yann que a sua paixão por Euryale é ruinosa e acabam por fazer amor no quarto do zodíaco. A pouco e pouco os mistérios de Malpertius começam a dominar tudo e todos até que, após algumas mortes por desobediência às disposições de Cassavius, o mais fabuloso segredo é revelado.

Malpertuis (1971), realizado por Harry Kümel, é um filme fantástico, recheado de mistérios e enigmas, que nos conduz através de um universo de impossibilidades físicas e arquitectónicas, onde se salta de perplexidade em perplexidade, de fantásticas revelações para segredos insondáveis.

Baseado no romance homónimo de Jean Ray, Malpertuis é uma obra aberta em que o real e o imaginário se misturam, um filme-puzzle que deixa abertas muitas portas para a percepção do espectador e permite diferentes formas de ser entendido — desde um sonho ou alucinação, até uma inteligente revisão da mitologia grega, com uma das mais cruéis entidades da terceira geração dos Deuses do Olimpo, a Górgona, volvida numa fascinante mulher-paixão frente a um moderno Prometeu acorrentado e cercado por outros deuses transfigurados numa prosaica existência burguesa.

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