sábado, 5 de abril de 2008

SPIDER BABY OR, THE MADDEST STORY EVER TOLD

Spider Baby (1964) é o filme que marca a estreia na realização de Jack Hill (The Big Doll House, Foxy Brown) e uma das últimas participações no grande ecrã de um dos grandes ícones do cinema de terror, o lendário Lon Chaney Jr.

A história de Spider Baby desenrola-se na decrépita mansão rural da família Merrye, cujos membros vivem assolados por uma estranha doença familiar, uma desordem neurológica que se manifesta a partir dos dez anos de idade, chamada Síndrome de Merrye. As vítimas do Síndrome de Merrye padecem de uma regressão progressiva de maturidade que os pode transportar para um estado pré-humano caracterizado pela ausência de quaisquer códigos morais que os conduz, irremediavelmente, à barbárie e ao canibalismo.

Na mansão vive o motorista da família, Bruno, que toma conta da última geração que carrega consigo a maldição da família Merrye: duas irmãs sexualmente precoces, Elizabeth e Virginia, e o seu irmão, Ralph, um jovem de aparência e modos animalescos. Na cave da casa vivem, ainda, dois tios tratados como se fossem animais. Os três irmãos entretêm-se a capturar e a matar toda a espécie de criaturas que se atrevem a entrar na propriedade da família, incluindo o desafortunado portador de um telegrama que anuncia a chegada de primos distantes. Quando estes chegam à mansão, acompanhados do seu advogado e respectiva secretária, vêm dispostos a tudo para se apoderarem da propriedade da família. É então que a harmonia familiar atinge um ponto de ruptura, desembocando numa noite de emoções selvagens e sórdidos crimes.

O desempenho dos actores é um dos pontos fortes do filme: Jill Banner, Beverly Washburn, Sid Haig e Lon Chaney Jr. dão corpo de forma brilhante a esta família de degenerados furiosos. No papel de Ralph, Sid Haig (um veterano de muitos exploitation films e o brilhante Captain Spaulding, o palhaço maníaco de House of 1000 Corpses e The Devil's Rejects, os dois primeiros filmes de Rob Zombie) com os seus trejeitos simiescos, a cabeça pendente, o andar titubeante, o olhar vazio e a boca escorrendo baba, tem uma interpretação corporal imensa. Jill Banner é inquietantemente sexy e ingénua no papel de Virginia, ora áspera e imprevisível quando excitada, ora calma e langorosa enquanto espreita furtivamente a sua vítima. Ao contrário, Beverly Washburn, que encarna a irmã de Virginia, tem uma interpretação mais histriónica e violenta, o que só contribui para sublinhar as súbitas mudanças nos estados mentais degenerativos desta bizarra família. Lon Chaney Jr. tem uma interpretação misteriosamente suave, dando corpo à única voz da razão naquela imensa casa. Jack Hill conta que Chaney, entusiasmado pela participação num projecto que aliava o terror à comédia e temendo que os produtores oferecessem o papel a John Carradine, consentiu uma redução substancial do seu cachet e aceitou permanecer sóbrio durante todo o tempo de rodagem.

O filme foi rodado em Agosto e Setembro de 1964 com o título prévio de Cannibal Orgy, or The Maddest Story Ever Told, mas a sua estreia foi sendo adiada durante vários anos devido à falência dos produtores. Em 1968, o produtor David Hewit adquiriu os direitos de distribuição do filme e mudou o título, primeiro para Spider Baby e, mais tarde, para The Liver Eaters. Com o tempo Spider Baby foi ganhando a reputação de filme de culto até ser considerada uma espécie de obra matriz, uma fonte de inspiração para muitos dos clássicos de cinema de terror moderno que o género costuma reciclar ad nauseam.

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