segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

LE TESTAMENT D'ORPHÉE (JEAN COCTEAU, 1960)

Jean Cocteau, encarnando o poeta Orfeu vestido com roupas do século XVIII, conta entrar no espaço-tempo para ir ao encontro de um cientista em vários períodos da sua vida: como estudante, como moribundo e, finalmente, como homem de meia-idade. O cientista, compreendendo os seus desejos, consegue trazê-lo para o século XX, assassinando-o. Cocteau agradece-lhe e parte à procura de uma nova identidade. Atravessa uma terra devastada e encontra um grupo de ciganos e um homem-cavalo. Mais tarde, encontra Cégeste, o poeta morto do Orfeu, que emerge do mar e lhe oferece a flor de Folly, Cocteau decide oferecer a flor a Minerva, a deusa da Razão, mas antes tem de comparecer perante o tribunal do submundo, onde é condenado a viver, após um longo debate, pelos juízes, a princesa Morte e Hertebise. O seu encontro com Minerva também não é feliz, uma vez que ela não aceita a flor e mata-o com uma lança. Mas Cocteau ressuscita dos mortos e continua o seu trajecto cruzando-se com a Esfinge e com Édipo, o rei cego.

Le Testament d'Orphée, ou ne me demandez pas pourquoi! escrito, realizado e interpretado por Jean Cocteau em 1960, seria a sua derradeira obra cinematográfica. Trata-se de uma criação profundamente poética e misógina, a que o autor chamou de poema activo, que reflecte, por uma última vez, as espantosas obsessões líricas e itinerantes de Cocteau.

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