terça-feira, 6 de janeiro de 2009

NETWORK (SIDNEY LUMET, 1976)

Howard Beale é um conhecido e veterano jornalista e apresentador de uma cadeia nacional de televisão norte-americana, a Union Broadcasting System (UBS). Quando é notificado pela direcção que foi despedido devido aos baixos índices de audiência, decide vingar-se, anunciando, em directo, que no dia seguinte se suicidará no ar. De imediato, as audiências sobem, pelo que a estação dá a Beale uma oportunidade de se retratar perante os telespectadores. O jornalista decide, então, começar a agitar as pessoas, obrigando-as a reclamar contra a hipocrisia e a manipulação da televisão. E, ainda que o seu chefe e amigo Max Schumacher seja também despedido, os índices de audiência voltam a subir.

Uma jovem e ambiciosa executiva, Diana Christensen, que tenta por todos os meios bater recordes de audiência e ainda a tentar impor um programa absurdo e violento sobre terrorismo ao vivo, apenas porque o assunto está na moda, decide servir-se da raiva e do carisma de Beale junto de uma vasta audiência de gente frustrada e apática. Beale, entretanto, descobre no meio da sua extravagante cruzada, uma dimensão mística e, de dia para dia, o seu programa cresce quer em audiência quer em alucinação. Quando ataca os grandes monopólios económicos que estão a destruir os Estados Unidos, o presidente da cadeia de televisão faz-lhe uma autêntica lavagem cerebral e Beale começa a propagandear as ideias da grande utopia das gigantescas corporações económicas. Perde audiências e Diana prepara o seu assassínio em directo para alimentar o seu programa sobre terrorismo violento.

Network (Escândalo na TV, na versão portuguesa) é uma grande realização de Sidney Lumet que nos dá, pelo excesso e o exagero delirante, a visão mais grotesca e inquietante da manipulação desonesta da televisão na sociedade contemporânea, assumindo-se como uma espécie de parábola apocalíptica e perturbadora.