quinta-feira, 21 de maio de 2009

HÔTEL DES AMÉRIQUES (ANDRÉ TÉCHINÉ, 1981)

Em Biarritz, Hélène conduz de forma perigosa o seu automóvel e quase atropela Gilles. Os dois acabam por tomar juntos um copo e a mulher adormece sobre a mesa. O homem contempla-a fascinado. Deste encontro casual vai nascer um romance feito de distanciação, de mutismo, de fascínio mútuo, mas de consumação complexa. Ela é anestesista. Ele vagueia sem destino. Ela tenta esquecer um passado doloroso. Ele procura sobreviver a um presente sombrio. Encontram-se por mero acaso, na rua. Nem um nem outro podem verdadeiramente compreender o que os liga, embora, desde logo, se apercebam do que os separa. E, assim, entre quartos de hotel, pequenos estúdios, cafés de estação e velhas casas decrépitas, evolui e se fecha sobre si própria uma bizarra história de amor.

Realizado em 1981 por André Téchiné, um dos nomes grandes do moderno cinema francês e um dos cineastas maiores de todo o cinema contemporâneo, Hôtel des Amériques é um filme misterioso e envolvente, construído sobre múltiplas referências e atmosferas, onde a lógica do acaso impera através de um equilibrado sentido do romanesco, do prazer da narrativa, da progressão, da aventura, dos sentimentos e da ambiguidade psicológica.

Sem comentários: