segunda-feira, 25 de maio de 2009

JOHN FORD (1894-1973)

Peter Bogdanovich, autor de um dos mais completos e importantes estudos sobre John Ford, pediu um dia ao grande mestre do cinema americano que sintetizasse em poucas palavras a sua obra. Ford disse então: «My name is John Ford. I make westerns.» Desde então esta frase tornou-se numa espécie de título nobiliárquico de Ford. Na verdade, pensar no cinema de Ford é pensar no western. E, curiosamente, se os westerns de Ford são dos mais geniais da história do cinema, na sua filmografia de mais de cem títulos, os westerns não são tantos como isso. Mas, com o tempo e como se dizia num dos seus westerns mais célebres (The Man Who Shot Liberty Valance, 1962): «When the legend becomes fact, print the legend.»

John Ford nasceu no dia 1 de Fevereiro de 1895, em Cape Elizabeth, Maine, de uma família de origem irlandesa. O seu verdadeiro nome era Sean Aloysius O'Fearna. Em 1912 fugiu de casa para se juntar, em Hollywood, ao seu irmão Francis, com quem começou a trabalhar em quase todos os ofícios do cinema. A partir de 1917, realiza pequenos westerns interpretados por Harry Carey, que se iria tornar no primeiro dos seus grandes intérpretes. As suas primeiras longas-metragens datam de 1924. Desde esse ano até 1966, Ford só parou durante a Segunda Guerra Mundial, prestando serviço na Marinha e dirigindo os Serviços Cinematográficos no Pacífico. Terminou a Guerra com o posto de Contra-Almirante, tendo sido promovido a Almirante em 1954. Abandonou o cinema em 1966, passando então a ser alvo das mais entusiásticas homenagens por cinematecas espalhadas pelos cinco continentes.

John Ford morreu em 1973, aos 78 anos, deixando atrás de si uma vida de cinema que hoje é inequivocamente reconhecida como uma das obras cinematográficas mais completas e coesas de sempre. Numa última entrevista, pouco antes de falecer, citara Jean Renoir: «Se um filme não mostrar a glória do Homem, é melhor não o fazer.» E poucos cineastas se podem gabar de ter durante tanto tempo, por tantas formas e com tanto talento, glorificado o Homem no seu cinema. A verdade é que John Ford pertence a uma estirpe de criadores tão intemporais, que evocar o seu nome é já evocar o que de mais nobre e genial há na sétima arte.

John Wayne e Henry Fonda foram os dois actores que melhor deram forma e conteúdo às mais fordianas personagens do seu cinema, sobretudo, no western, que era então um género puramente mítico, heróico e glorioso, já para não dizer genuinamente americano. De Stagecoach, de 1939, a Cheyenne Autumn, de 1964, ficam alguns dos títulos mais importantes e paradigmáticos do western em toda a história do cinema: My Darling Clementine (1946), Fort Apache (1948), She Wore a Yellow Ribbon (1949), Wagonmaster (1950), Rio Grande (1950). Mas Ford não era só westerns e obras como The Grapes of Wrath (1940), How Green Was My Valley (1941), They Were Expendable (1945), The Sun Shines Bright (1953), The Quiet Man (1952), The Wings of Eagles (1957) ou Donovan's Reef (1963) são a prova real do génio multifacetado de Ford, que soube, como poucos, filmar com enorme simplicidade e clareza sentimentos em estado puro como a coragem, a dignidade e a liberdade, em obras que resistiram e resistem a tudo e a todos.

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