sexta-feira, 7 de agosto de 2009

ZABRISKIE POINT (MICHELANGELO ANTONIONI, 1970)

Mark é um individualista que pretende demonstrar a sua rebeldia. Em Los Angeles, na universidade, tem desafiado as autoridades por sua conta e risco. Quando os seus colegas forçam a direcção da faculdade a encerrar o estabelecimento, começam as desordens e Mark, que consegue comprar uma arma ilegalmente, prepara-se para os apoiar — a tiro, se for preciso. Mas nunca chega a fazer uso da arma porque, na sequência da morte de um polícia com a qual nada teve a ver, torna-se, devido a uma série de acasos, no principal suspeito. A bordo de um pequeno avião roubado, Mark atravessa o deserto do Arizona sem qualquer destino especial. O acaso leva-o a sobrevoar o carro de Daria, uma rapariga despreocupada que trabalha quando lhe apetece e que, nessa altura, se dirige a um encontro. Mark abandona o aparelho roubado e segue viagem com Daria. Em Death Valley, Mark e Daria passeiam, brincam e fazem amor no meio das dunas. Por fim, Mark decide regressar com o avião e enfrentar as consequências, mas é morto pela polícia à chegada. Daria sabe da sua morte pela rádio e segue para o seu destino, uma fabulosa casa na orla do deserto, onde terá lugar uma reunião de negócios. Quando vem embora vê, com um sorriso, a casa ir pelos ares…

Zabriskie Point (Deserto de Almas, na versão portuguesa) é, provavelmente, um dos mais insólitos e desencantados filmes de Michelangelo Antonioni. Produzido nos Estados Unidos, é uma bizarra visão daquele país, algures entre a perplexidade frenética e fantástica de uma sociedade opulenta e o choque da angústia, da aridez e do vazio das trajectórias humanas.

Centrando-se na viagem de dois jovens desenraizados e perdidos num país em confusão de valores, num paralelo envolvente onde os personagens se definem pela ausência de um enredo dramático e no insólito realismo de um quotidiano intencionalmente subvertido, Zabriskie Point é, desde a fotografia à música dos Rolling Stones e dos Pink Floyd, uma fascinante e arrebatadora experiência de puro surrealismo poético e visual, que contém uma das cenas mais bizarras e insólitas alguma vez filmadas: a da explosão da casa, vista de múltiplos ângulos de câmara e de uma surpreendente variação de perspectivas que penetram gradativamente na própria explosão.

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